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LEPTRANS
Laboratório de Estudos e Pesquisas Transdisciplinares
(UFRRJ/UFRJ)
Transdisciplinaridade
| É uma forma de ser, saber e abordar, atravessando as fronteiras epistemológicas de cada ciência, praticando o diálogo dos saberes sem perder de vista a diversidade e a preservação da vida no planeta, construindo um texto contextualizado e personalizado de leitura dos fenômenos. |
Trandisciplinaridade na universidade
Dra. Ana Cristina Souza dos Santos, UFRRJ/IE/DTPE
Dr. Luis Mauro Magalhães Sampaio, UFRRJ/IF
Dra. Nilma Figueiredo de Almeida UFRJ/IP
Dra. Akiko Santos UFRRJ/IE/DTPE
No meio universitário conhece-se a interdisciplinaridade, a multidisciplinaridade ou pluridisciplinaridade. No entanto, ocorrem algumas confusões conceituais em relação a transdisciplinaridade. Como existem divergências conceituais entre os pesquisadores que trabalham o tema, o grupo adotou as definições elaboradas no Congresso de Locarno, acontecido em Suiça e divulgado em O Projeto CIRET-UNESCO, (1997).
O documento, divulgado pela Internet, faz a seguinte delimitação: A pluridisciplinaridade diz respeito ao estudo de um objeto de uma única disciplina por diversas disciplinas ao mesmo tempo. Um quadro de Giotto pode ser estudado pela física, química, história... no entanto, o resultado permanece no quadro disciplinar. A interdisciplinaridade diz respeito à transferência dos métodos de uma disciplina à outra, citando como exemplo a transferência do método da lógica formal à área de Direito. Há também a geração de novas disciplinas como a cosmologia-quântica, a arte-informática. No entanto, assim como a pluri, seus resultados permanecem no quadro disciplinar. A transdisciplinaridade, além de ultrapassar as fronteiras epistemológicas das disciplinas, como as duas modalidades anteriores, ela se situa entre as disciplinas, através e além das disciplinas e tem a finalidade de dar um sentido à vida através da unidade dos conhecimentos.
Este texto tem como objetivo esclarecer o que seria a transdisciplinaridade. Revisitando a história das idéias constatamos que alguns pensadores, bem ou mal, já praticavam um pensar transdisciplinar. Porém o problema se complica nos tempos atuais, quando assistimos à crise da disciplinaridade.
Para entender a atual proposta da transdisciplinaridade há que se entender a disciplinaridade. E como o cerne da questão é o homem, a preocupação inicial debita-se à pergunta feita por Sócrates, no século V a.C., portanto, há 2500 anos atrás, quando os homens se libertavam do pensamento mítico-mágico para a explicação da origem da humanidade. A esta libertação, segue-se imediatamentamente, a pergunta: Então, O que é o homem? Para a humanidade tem sido muito difícil aceitar a sua origem não divina e, às vezes, tem sido traumático, como na época de Galileu (1564-1642), quando as pessoas que desafiavam o senso-comum enfrentavam a ameaça da fogueira.
Uma das características marcantes dos seres humanos é que eles são contadores de estórias. Estórias que viram histórias. Histórias que viram teorias. Teorias que viram senso-comum e muitas vezes dogmas. Senso-comum ou dogmas que viram a essência da sua existência. Existência dirigida e moldada pelas teorias ou crenças. Portanto, o conhecimento está indissoluvelmente ligado ao homem. Não há como separar sujeito/objeto, sujeito/conhecimento, como fez Descartes (1596-1650). E também o conhecimento não é neutro, porque sempre é elaborado por um sujeito.
O conhecimento tem sido a pedra basilar para a organização da vivência coletiva e da conformação da mentalidade dos homens na interação da sua existência individual em interação com o meio. O conhecimento tornado senso-comum através da estrutura organizacional (pedagogia tácita), molda a percepção dos seres humanos. Diz o ditado popular: só vemos e ouvimos o que queremos ver e ouvir.
Este fenômeno traz à tona a discussão sobre a percepção. Os cinco sentidos do homem não são apenas janelas para captar o mundo exterior. Somente os sentidos não são suficientes para entender a natureza e o universo. O ponto central é a estrutura mental. A percepção não é um fenômeno de somente uma via – de fora para dentro. Chamado por Maturana e Varela (1995) de atividade eferente, a percepção tem também uma via simultânea de dentro para fora. O dentro e o fora são simultâneos. Os conceitos teóricos, incutidos nas culturas, influenciam as mentes humanas, fazendo com que elas percebam somente àquilo para o qual a mente está preparada. A mente é seletiva. Este fenômeno entra em ação ao atribuir valores aos textos escolares ou científicos. Devido a esta interpretação da percepção faz com que Varela (s/d) declare que nós construímos a realidade.
Outra característica da mente humana é a sua atividade holográfica. Neste aspecto, dois cientistas de áreas diversas se encontram: David Bohm (1992), um físico quântico e o neurofisiologista da Universidade de Stanford, K.Pribam (1991) que estudando o cérebro chega às mesmas conclusões de Bohm e declara que o cérebro é um holograma envolto por um universo holográfico. Ou seja, a realidade e as partes só podem ser compreendidas a partir de suas inter-relações com a dinâmica do todo, ressaltando-se a inter-relação e a interdependência dos múltiplos níveis da realidade.
Assentado nesse princípio, pode-se dizer que o princípio da Ciência Moderna, apoiado no ditame cartesiano de que frente a um fenômeno complexo, deve-se dividi-lo em tantas parcelas quanto possíveis (Descartes, 1973:46), implica num fenômeno chamado por Morin (1991) de patologia do saber. Muitos dos problemas ocorrem devido a tendência, iniciada no século XVI, em fragmentar o mundo, os saberes e o homem, ignorando a interligação dinâmica de todas as coisas e desconhecer que o homem, quanto o universo, é constituído como um holograma. Tudo no universo é parte de um contínuo que Bohm chama de holomovimento, devido a sua natureza ativa e dinâmica. Após desmontar conjuntos e fragmentar totalidades, hoje, toma-se consciência da necessidade de encontrar o sentido da vida, retornando ao conhecimento global. Após séculos, desenvolvendo a disciplinaridade, constata-se a sua insuficiência se não se complementar com a transdisciplinaridade.
Portanto, como resultado da ótica disciplinar da realidade, pode-se dizer juntamente com Moreira (1994) de que o mundo, atualmente, é constituído disciplinarmente, por conceitos, teorias e técnicas de cada ciência e profissão, (que) representam no contexto da tradição um mundo segmentado, recortado e fragmentado.
A descontextualização do conhecimento encobre a relação deste com o sentido da vida, fazendo outras dicotomias: conhecimento e dogma, ciência e religião, ciência e filosofia. A Ciência Moderna, por sua vez, é uma ciência dicotômica e dualista por excelência. Ela se constrói na separação entre ciências exatas e ciências humanas. A separação das ciências reflete até na estrutura física, localizadas em espaços ou prédios diferentes: Instituto de Biologia, Instituto de Ciências Humanas, Instituto de Agronomia, Instituto de Veterinária e assim por diante...
Nesta estrutura, as relações entre os diversos saberes são sacrificadas e o conhecimento é válido por si mesmo. Essa suposta neutralidade do conhecimento, essa objetivação do saber, iniciada com a separação sujeito/objeto, reflete na Educação como que o conhecimento fosse algo fora do sujeito e que os alunos terão que dominá-lo para habilitar-se como um profissional da área. Daí surge o conceito de aprendizagem equiparado à memória, transformando a atividade do aprender como algo aborrecido porque o alunado não alcança a compreensão do sentido daquele conhecimento. O conhecimento só toma sentido quando subjetivado na visão holográfica (Bohm, 1992) e de auto-construção, chamado por Maturana e Varela de autopoiética. Para tanto, requer a unificação dos saberes e mais do que nunca a importância dos conhecimentos que estão separados nas áreas humanas. Não se trata de uma unificação indiscriminada. Mantém-se a disciplinaridade, porém, construir as relações entre os diversos saberes através da transdisciplinaridade. Resgatar o sentido do conhecimento para a continuidade da vida no planeta.
A vida, como a natureza e o universo, se constrói na diversidade, na incerteza, no acaso, na indeterminação, na ambigüidade. O que não quer dizer que tudo é incerteza, acaso, indeterminação e ambigüidade. A Ciência Moderna optou por construir a Certeza através de seu método de comprovação, ignorando o outro lado da realidade e que a própria Ciência, atualmente, está desconstruindo e integrando outros Princípios:
Princípio holográfico demonstrado por Bohm, prêmio Nobel na área de ciência física (1992); Talbot (1991).
Princípio da incerteza e do caos organizador colocado por Heisenberg, prêmio Nobel também da área de ciência física (1962/1990/1993) e Prigogine, prêmio Nobel da área de física e química (1991/1992/1996).
Princípio da complementaridade e da interdependência pesquisado por Bohr (1961) na área de física.
Princípio da auto-organização sistematizado por Atlan (1993) da área de medicina e biologia e Maturana e Varela (1995) também da área de biologia.
Princípio do Terceiro Termo Incluso do matemático Kurt Göddel (Nicolescu, (2), 1999).
A idéia da transdisciplinaridade remonta ao teorema de Göddel, que em 1931 (Mello,1999) propõe vários níveis de realidade e não somente um, como entende o dogma da lógica clássica. O impacto maior se deve à física quântica que provocou um escândalo ao demonstrar que quanton é composto de onda e corpúsculo ao mesmo tempo, e no nível do quanton a contradição entre onda e corpúsculo desaparece. A partir desta descoberta, a lógica clássica entra em crise, abalada pela base no fundamento dos seus três axiomas:
O axioma da identidade: A é A
O axioma da não contradição: A não é não-A
O axioma do Terceiro Termo Excluído: não há um termo T que é ao mesmo tempo A e não-A
( Nicolescu (2/3), Internet)
A hipótese de um único nível de realidade, como se deduz dos três axiomas, é reformulada a partir do paradoxo colocado pela física quântica, resgatando-se o axioma do Terceiro Termo Incluído: há um terceiro termo T que é ao mesmo tempo A e não-A. Num único nível de realidade, as manifestações são vistas como contraditórias, por exemplo, onda e corpúsculo. Num outro nível de realidade, estas partículas não aparecem como desunidas, mas unidas (quanton). E o que parecia contraditório não é contraditório. Daí o Terceiro Termo Incluído.
Entre a tríade do Terceiro Incluído e a tríade Hegeliana (tese, antítese e síntese), a diferença está em que nesta última os termos sucedem ao anterior no tempo e naquela, os opostos contraditórios, pela força da tensão da contradição, se unem e constroem uma unidade que vai além da simples soma dos opostos, ascendendo a outro nível. Os opostos coexistem ao mesmo tempo.
Essa lógica do Terceiro Termo Incluído permite uma concepção que atravessa diversos campos do conhecimento e é mais própria para explicação de fenômenos mais complexos. A transdisciplinaridade considera uma realidade multidimensional, sem que nenhuma dimensão tenha prioridade sobre a outra, com estruturas de múltiplos níveis. Portanto, a totalidade não é um amálgama, nem simples soma das partes. Ela resulta de uma articulação dinâmica, integrando também o processo de retroatividade e recursividade, constituindo uma estrutura aberta que se sucede sempre noutra estrutura devido a incessantes pares de binários que se contrapõem, formando novos níveis de realidade, o que impossibilita a elaboração de uma teoria completa, fechada em si mesma, senão temporariamente. Tal estrutura aberta é móbil em graus de complexidade.
A transdisciplinaridade é uma transgressão da dualidade que opõe os pares binários: sujeito/objeto, subjetividade/objetividade, matéria/consciência, natureza/divino, simplicidade/complexidade, reducionismo/holismo, diversidade/unidade (Nicolescu, 1999). Ela não só é multidimensional, como também multirreferencial, levando a que a percepção dos diferentes níveis de realidade se abra segundo os tipos de percepção do observador, que quando aprofundados permitem uma visão cada vez mais ampliada, mais unificadora. Este processo é interminável; portanto, a totalidade é uma abstração momentânea até que se leve em conta um outro Terceiro Incluído.
A transdisciplinaridade diz respeito à dinâmica dos diferentes níveis de realidade. Para se conhecê-la é preciso o conhecimento disciplinar, no entanto, enfocada a partir da unidade do conhecimento. Portanto, os conhecimentos disciplinares e transdisciplinares não são antagônicos, são complementares.
A transdisciplinaridade no ensino caracteriza-se por seu enfoque no ser (seus níveis interiores e exteriores) que inclui o conhecer, o interagir e o fazer. Com estas três dimensões cuidadas na sala de aula, treinando-se atitudes transpessoal, transcultural, transreligiosa e transnacional (Nicolescu (1), 1999), o que significa lançar a rede de articulação com a multiplicidade de fenômenos, de conhecimentos e de atitudes. Em suma, está-se idealizando uma educação que tem por objetivo abarcar a totalidade do ser e não apenas tomar os jovens como um futuro ingrediente da produção, desenvolvendo seu componente racional.
O Congresso da Arrábia (1994), Portugal, acontecido no Convento da Arrábia, em novembro/1994, foi a primeira manifestação mundial da Transdisciplinaridade, com apoio da UNESCO, divulgando, na ocasião, a Carta da Transdisciplinaridade, composta de quinze artigos. Já no Congresso de Locarno (1997), acontecido na Suíça, há um aprofundamento das discussões sobre o tema e acrescenta que a pesquisa transdisciplinar difere da disciplinar por sua preocupação simultânea com os diversos níveis de realidade, superando um só nível da pesquisa disciplinar, equacionando-a em função da totalidade e aceitando a causalidade em circuito devido a sua multirreferencialidade, diferentemente da causalidade linear (Congresso de Locarno, 1997).
A transdisciplinaridade exige o conhecimento de si e do outro. Somente a atitude transdisciplinar permitirá desvendar a transdisciplinaridade da Natureza, isto é, para dar-se a conhecer, o objeto que é transdisciplinar exige observadores transdisciplinares.
A transdisciplinaridade não tem um objeto definido como a disciplinaridade. Ela é uma atitude e um modo de ser. Dessa forma, a sua metodologia de pesquisa se levanta sobre três pilares básicos:
Há diversos níveis de Realidade ao mesmo tempo e não somente um nível como na disciplinaridade.
Orienta-se pela Lógica do Terceiro Termo Incluso.
A complexidade dos fenômenos é estudada simultaneamente e não separadamente como na disciplinaridade.
O Congresso de Locarno recomenda que essa nova metodologia deve ser aplicada gradualmente, de maneira pragmática, com grande prudência e rigor, tomando como finalidade imediata a formação de formadores.
Recomenda ainda que no ensino deve-se harmonizar a disciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, abordando os fundamentos históricos e epistemológicos de cada um e manter um fórum transdisciplinar de história, filosofia e sociologia da ciência, um atelier de pesquisa transdisciplinar, assim como um centro de orientação tanto de estudantes como de professores com a finalidade de criar harmonia e flexibilidade interior e exterior, já que a disciplinaridade é hegemônica na sociedade, desenvolvendo diferentes níveis de inteligência dentro de uma democracia cognitiva.
Mudar o sistema de referências significa uma mudança tanto na organização interna quanto na externa. O ser transfigurado tem um novo olhar sobre o mundo, uma nova atitude de relacionar-se com os seus semelhantes. Com esta nova visão, repensar a educação em termos de programa curricular, enfocar o seu conteúdo com a abordagem transdisciplinar, com a relação parte/todo implicada, resgatar a vida, recriando metodologias de ensino que permitam aos alunos assumirem-se como seres humanos. É o desafio que se coloca à educação transdisciplinar.
O que é o homem?
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Razão/emoção |
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disciplinaridade |
Transdisciplinaridade |
| (Descartes, 1973) - 1596-1650 Dicotomia inicial: sujeito/objeto Sujeito pensante/coisa extensa: Concluo efetivamente que minha essência consiste somente em que sou uma coisa que pensa (Idem,p.142) Tenho uma idéia clara e distinta de mim mesmo, na medida em sou apenas uma coisa pensante e inextensa, e que, de outro, tenho uma idéia distinta do corpo, na medida em que é apenas uma coisa extensa e que não pensa, é certo que este eu, isto é, minha alma, pela qual eu sou o que sou, é inteira e verdadeiramente distinta de meu corpo e que ela pode ser ou existir sem ele (idem, p.142) Na busca de noções claras e distintas, Descartes separa alma/corpo Os animais, comparados a um relógio composto de rodas e molas, seriam desprovidos de alma e de pensamento. O homem, sim, seria um ser dotado de alma e razão, daí o famoso aforismo: Penso, logo existo Conclusão: O homem é um ser racional |
Razão/emoção: O erro de Descartes
(Antonio Damásio, 1996) Damásio: "Sinto, logo penso" A razão e a emoção se entrelaçam O ato de pensar é inseparável da atividade corporal Sentimentos e emoções formam uma percepção direta de nossos estados corporais e constituem um elo essencial entre corpo e consciência. As decisões do homem sempre têm uma base emocional. Só a razão não leva a lugar nenhum. E só a emoção também não. O que está em jogo é a articulação razão/emoção Para os teóricos da auto-organização (Flickinger, 1994), o agente e o conhecimento, o agir e o conhecer, o agir e compreender, se interligam num círculo inseparável. Essa teoria concebe a realidade como resultado de uma atividade de construção do mundo e de nós, juntamente com o nosso próprio ambiente; construção mediante a percepção, experiência, agir, vivência e comunicação, o que implica superar a separação sujeito conhecedor e objeto do conhecimento por uma estrutura de autorreferencialidade. |
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Descartes separa a razão e experiência sensível. Constrói um sistema filosófico baseado na razão, nas idéias, no pensamento: Compreendi que eu era uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de nenhum lugar, nem depende de qualquer coisa material (Descartes, Discurso do Método, in Os Pensadores, São Paulo, Abril-Cultural, 1973:55). Segundo ele, as percepções que vêm de objetos do mundo exterior dependem de um corpo, por isso esse conhecimento é confuso, posto que vem dos sentidos: sua cor, sua forma, seu volume. Qualidades não constituem sua essência.
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O indivíduo constrói o conhecimento usando sensações, emoções, razão e intuição. Uma dialética entre todas as dimensões que o indivíduo possui. O ser humano não opera de modo linear, determinista, previsível. Pelo contrário, é dinâmico, imprevisível, dialético e criativo. Morin (1986) afirma a relação simbiótica do ser/saber. Demoramos dois milênios para corrigir o equívoco de Platão, a superexaltação da razão e das idéias em detrimento do corpóreo; e, em certa medida Aristóteles, que apesar de articular o sensível e o inteligível, favoreceu o inteligível e Descartes fez o corte epistemológico entre a razão e a emoção. |
| A essência do homem está na razão. Sentimentos e emoções são fontes de idéias confusas. Princípio da Verdade: Idéias claras e distintas que provém da alma (Descartes, 1973).
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Princípio da autopoiése de Humberto Maturana e Francisco Varela: A árvore do conhecimento (1995): Autopoiése = auto-fazer-se auto-organização auto-construção Os seres vivos se caracterizam por sua organização autopoiética. A característica mais marcante de um sistema autopoiético é que ele se levanta por seus próprios cordões, e se constitui como distinto do meio circundante mediante sua própria dinâmica, de modo que ambas as coisas são inseparáveis (Maturana e Varela, 1995:87).
Característica de um ser vivo que se constrói a si próprio e se adapta ao meio. Varela: Nós construímos a realidade (entrevista, Revista Esotera, s/d) |
| Dicotomias/
dualidades/oposições:
Razão/emoção Pensamento/sentimento Alma/corpo Sujeito/objeto Ordem/desordem Racional/irracional Quantidade/qualidade Parte/todo Unidade/diversidade Indivíduo/sociedade Local/global
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Articulação:
Indissociabilidade do sujeto e objeto ( Capra, F., 1988/1991).Princípio da complementaridade ( Bohr, N., 1961).Integra os paradoxos e as contradições radicais. Interdependência dos fenômenos.
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| Fragmentação | Teia de relações | |
| Descontextualização | Contextualização | |
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Fragmentação: Dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las (Descartes, 1973:46)Hierarquização: Conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento do mais composto,...(Descartes, 1973:46)Método analítico: Fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir (Descartes, 1973:46)Método indutivo: Francis Bacon (1561-1626), se contrapõe dizendo que a experiência é fonte de todas as idéias, não reconhecendo a existência de idéias inatas. |
Princípio holográfico de David Bohm, 1992:Ao princípio da divisão das partes e do todo do paradigma clássico, contrapõe a visão holográfica, afirmando que a parte não somente está dentro do todo, senão que o todo também está dentro da parte. Com isso ressalta-se o paradoxo do uno e do múltiplo, ou seja, da íntima relação e interdependência entre a parte e o todo. A parte explicando-se através do todo e este sendo mais do que a soma das partes. Princípio da interdependência :O bastão tem duas extremidades, se o cortamos para separá-las, teremos dois bastões e duplicamos as extremidades (Nicolescu, 1999). Muitos dos nossos problemas ocorrem dev \n'; document.write(barra); } } changePage(); Dialógica |
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| O todo é a soma das partes | O todo é mais do que a soma das partes | |
| Lógica da simplificação | Lógica da implicação |
| Lógica da simplicidade | Lógica da complexidade |
| - fragmentação - hierarquização - disjunção - redução - abstração |
construir relações:
não se trata de rejeitar a disciplinaridade. A disciplinaridade é a base para a transdisciplinaridade complementaridade dos opostos interdependência dos fenômenos |
| Organização do conhecimento: Disciplinar hiperespecialização |
Tem a disciplinaridade como base, mas propõe
religá-la através da transdisciplinaridade.
Construir a rede de articulações Trabalha com o conceito de conhecimento como uma rede |
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símbolo do conhecimento: árvore |
símbolo do conhecimento: rizoma |
| Ditado popular: cada macaco no seu galho |
Pribam (1991), um neurofisiologista da Universidade Stanford, estudando o cérebro, chega às mesmas conclusões de Bohm (1992), um físico quântico e declara que o cérebro é um holograma envolto por um universo holográfico. Trata-se agora de desenvolver um movimento oposto à operação de desmonte de conjuntos e de fragmentação de totalidades. Ou seja, a realidade e as partes só podem ser compreendidas a partir de suas inter-relações com a dinâmica do todo; ressaltando-se a inter-relação e a interdependência dos múltiplos níveis da realidade. Conhecimento como rede |
| Método científico | Método em construção |
| - valoriza a certeza (comprovação) - oculta e elimina a desordem do mundo - prioriza o mensurável o quantificável o objetivo - processo mecanicista e determinista - baseado na lógica linear/causal |
A lógica clássica deixa de ser absoluto: A dialógica não supera as contradições radicais, considera-as como insuperáveis e vitais, enfrenta-as e integra-as no pensamento...(Morin, 1998:246) Inclui na sua unidade complexa o que ao mesmo tempo ameaça e mantém essa unidade (...) utiliza a lógica sem se deixar subjugar por ela. (Morin, 1998:246). Integra o seu contrário: - o sensível - o qualitativo - o subjetivo Integra e articula também a Incerteza Indeterminação Desordem Acaso Num anel recorrente/generativo: Ordem/desordem/articulação/organização Amplia o processo integrando - recursividade - retroatividade - autorreferencialidade - multirreferencialidade |
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